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sábado, 28 de abril de 2012

Cotas Raciais e o mito da democracia racial

Para aqueles que não sabem, essa semana o Supremo começou a julgar a legalidade de cotas em Instituições de Ensino. Três ações estão em pauta e uma delas questiona o sistema de cotas raciais.
Aqueles que são contra vão dizer que elas são desiguais e anticonstitucionais, já que a Constituição prega a igualdade de direito para todos, também vão dizer que vão contra o principio do mérito e que ainda pode diminuir a qualidade do ensino superior, ainda haverá aqueles que dirão que o que deve existir mesmo é melhoria na educação de base para que todos tenham oportunidades iguais.

Aos primeiros eu digo, a constituição diz que todos devem ter direitos iguais, mas ao mesmo tempo diz que para essa igualdade é preciso promover ações que façam com que todos a tenham. Caros amigos, nenhuma cota tem a função de ser eterna, sua função é garantir que a longo prazo, a igualdade pregada pela constituição seja realmente exercida por todos. Àqueles que questionam o mérito, o próprio mérito do vestibular já é questionado a tempos, não vou me deter no método de avaliação do Enem, onde não há nenhuma transparência, uma falta de respeito com o estudante. As cotas são desiguais para alcançarmos uma igualdade constitucional. Sobre a questão de diminuir a qualidade do ensino, as cotas são para as pessoas entrarem na faculdade e não para saírem uma vez que, aqueles que não conseguirem se manter na faculdade não se formarão, não havendo profissionais incapacitados no mercado, assim como haverá negros que podem não conseguir concluir um curso superior, também há aqueles de outras etnias. O cotista se forma igual a todos, isso só é alcançado através do seu êxito dentro da faculdade. Agora, questionar a qualidade de um profissional apenas pela sua forma de ingresso na faculdade é uma atitude sem fundamento e preconceituosa, uma vez que todos, cotistas e não cotistas, foram submetidos às mesmas formas de avaliação.
Quanto a educação, é mais que óbvio que o Brasil precisa realizar uma melhora no ensino básico e fundamental. Mas, isso excluiria as cotas ?? Essa reforma deve sim, ser feita e cobrada pela população. Contudo, mesmo que comece neste momento é uma medida estrutural que demanda alguns anos. Quem sabe os alunos cotistas depois de formados não serão as autoridades responsáveis por essas melhorias? Afinal de contas eles viveram essa precariedade do sistema e sabem na pele o que é. A melhora do ensino deve ser realizada juntamente com medidas universalistas e de Ações Afirmativas. Os problemas sociais devem ser visto como um todo. O presente é construído pelo que foi feito no passado, isso não pode ser negado, as cotas são necessárias, mas não devem ser feitas isoladamente.
Cotas não são uma questão de competência, são largamente utilizadas na sociedade moderna em cenários de desequilíbrio. Nenhuma cota é criada com a intenção de ferir direitos ou de prejudicar quem quer que seja, todas, sem exceção, tem caráter de justiça social e principalmente de estabelecimento de equilíbrio. Portanto, em tese só seria contra a ideia de cotas os integrantes de uma elite não conscientizada ou qualquer grupo tradicionalmente detentor de privilégios.
O Brasil vive o chamado “mito da democracia racial”, ou seja, um país lindo, onde negros, brancos, índios e outras etnias vivem em completa harmonia, todos são iguais e tem seus direitos garantidos pela Constituição.
Agora, me diz você que é contra as cotas: Você realmente acredita que os negros, que no passado eram tratados como objetos, que formavam grupos para sobreviverem como podiam, estão em equidade com os brancos que sempre tiveram a garantia de seus direitos básicos, esses mesmos brancos que os tratavam como objetos, que os açoitavam e se consideravam superiores? Será que esse passado realmente não tem relação alguma com a situação em que vivemos hoje e deve ser deixado para traz? Será que a noção social de raça não esta diretamente ligada à pobreza?
A história africana e negra só passou a ser ensinadas nas nossas escolas recentemente por causa da lei 10.639 de 2003. Antes só apreendíamos a historia dos brancos europeus. As crianças negras nem viam sua historia na escola, não tinham com o que se identificar, não viam seu papel na construção do pais além de terem sido escravos. Assim ficava mais fácil colocar em sua cabeça que eram tratados com igualdade de direitos.
Meu nome é João Octávio, sou negro, estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro e militante em prol da permanência das cotas raciais, acredito em um Brasil mais justo, mais igualitário, em que as cotas são ferramentas essenciais para que esse objetivo seja concretizado.

                                                                                                                                        J.O. Ambrósio

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Depoimento da professora Amanda Gurgel - Triste quadro da educação no Brasil

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Professora Amanda Gurgel silencia Deputados em audiência pública.
Depoimento Resumindo o quadro da Educação no Brasil.
Educadora fala sobre condições precárias de trabalho no RN/BRASIL.
(10/05/2011)

sábado, 20 de agosto de 2011

Praça Sete Sitiada - Parte I - "Quem é o ladrão?"

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9 de agosto 2011.
Faltando dois dias para a Audiência Pública que denunciaria toda politica repressiva de caráter criminal praticada pela prefeitura, a policia militar, junto a fiscalização do município inicia o sitiamento da Praça Sete em Belo Horizonte. A ação duraria pelos próximos 4 dias.

As violações continuam, mas desta vez, os artesãos estão conscientes das leis e questionando os fiscais, fazem com que eles reconheçam seus próprios erros.

Acompanhe esta série que irá culminar na Audiência.

Mais informações: belezadamargem.wordpress.com


A criminalização do artista - Como se fabricam marginais em nosso país
http://vimeo.com/27659191

sábado, 14 de maio de 2011

A importância e a dificuldade de se conviver com as diferenças


No contexto biológico a diferença é fator fundamental para que ocorra a seleção natural. Cada vez que o meio impõe uma condição é selecionado o membro da espécie mais apto à sobreviver no novo cenário, possibilitando assim a perpetuação da espécie. A evolução de todas as espécies é possível graças à sua variedade. No âmbito das relações sociais, as diferenças são fundamentais para que haja manutenção do cenário em que a sociedade esta inserida. A criação do Estado ideal, onde há o exercício pleno da democracia e da cidadania só é possível por meio da confluência de pensamentos, o que existe devido à diversidade de gêneros e/ou grupos em uma sociedade.
No entanto, saber como viver com as diferenças é o problema. Membros de um grupo, muitas vezes, têm dificuldade em conviver com indivíduos que possuem valores ou padrões diferentes dos seus e acabam se julgando como superior aos demais. Esse é o pilar de diversos fatores de discriminalização, seja étnica, sexual ou física. Em algum momento na história foram estabelecidos padrões de beleza, pensamento e conduta. As pessoas adquiriram tamanha admiração por aqueles que seguem essa linha que, mesmo quando não fazem parte desse seleto grupo, vêem-se com um olhar de inferioridade, sendo capazes de discriminar o próprio grupo ao qual fazem parte. São muitas as mães de meninas negras, que se deparam com filhas que sonham em ser fisicamente como a Xuxa, mas, que, por não conseguirem por razões óbvias acabam se vendo com um olhar de inferioridade daquelas que o conseguem.
É certo que o desafio de conviver com as diferenças é uma tarefa árdua, porém precisa ser encarada como uma necessidade humana. Pois, ao respeitar o próximo, certamente se abre caminho para que suas diferenças também sejam respeitadas. Ao entender e compreender o outro, é aberta uma porta para que outro também o entenda e o compreenda.
Conviver com as diferenças é um desafio inerente a todo ser humano. É fundamental para que todo individuo cresça, aprenda e crie. Uma das problemáticas da sociedade atual é aceitar o novo ou o que está fora dos padrões já existentes. Porém, com a flexibilidade e o respeito é possível, sim, alcançar um bom convívio com o outro diante das diversidades.

J.O Ambrósio

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Filosofia das rondas policiais



Pesquisador analisou rondas e blitzen da PM e viu que são considerados suspeitos jovens pobres, negros e com roupas folgadas

Para a polícia, um indivíduo suspeito é aquele que reúne as seguintes carcterísticas: pobre, jovem, afrodescendente, usa brincos ou tatuagens, roupas folgadas e boné. O retrato do suspeito está na dissertação A Lógica da Polícia Militar do Distrito Federal na Construção do Suspeito, apresentada no Programa de Pós-Graduação em Sociologia pelo aluno Gilvan Gomes, policial militar desde 1999. A pesquisa foi feita a partir de observações das ações da Polícia Militar durante os anos de 2007 e 2008.

Grande parte da formação do policial vem das ruas, onde o agente mais velho ensina o mais novo. No jargão policial, um suspeito pode ser caracterizado pelo “kit peba” – roupas folgadas, do movimento hip hop, correntes e boné. “Eles vestem-se parecidos com pessoas do movimento hip hop e são considerados como possíveis descumpridores das regras, comportam-se fora do padrão”, aponta Gilvan.

Segundo o pesquisador, no cotidiano da PM os brancos não são percebidos como possíveis criminosos. “Nas blitzen, quando um negro está dirigindo um carro novo ele certamente é parado. Na verdade, o policial quer saber se o negro trabalha como motorista ou se o carro é roubado. Como se o negro não pudesse ser bem sucedido”, afirma o pesquisador.

Ele conta que com os brancos é diferente. Caso o documento do carro não corresponda com o do motorista, o policial geralmente intui que o carro pertence a um parente da pessoa. O suspeito é caracterizado também pelos movimentos corporais, se usa gírias em seu vocabulário ou se tem cicatrizes pelo corpo. Outro determinante é o local e o horário por onde a pessoa circula.

Na pesquisa, Gilvan observou abordagens feitas em blitzen de trânsito e em rondas na regiõe de Brazlândia. Nessa etapa da pesquisa, ele constatou que o suspeito também é definido pelo local e horário onde está. “Brasília foi projetada com um cinturão de higiene. As cidades fora do Plano Piloto foram afastadas porque seus moradores representavam risco à ordem”, afirma o pesquisador.

ESTATÍSTICAS – O tenente-coronel Eduardo de Lima e Silva, comandante do 1° Batalhão de Polícia Militar do DF, explica que, para um policial suspeitar de uma pessoa, ele precisa primeiro observar se há alguma incoerência no comportamento do indivíduo. “Este perfil de pobre, negro e jovem está nas estatísticas, mas nós não perseguimos essas pessoas”, avisa. “Há pouco prendemos numa blitz um menino branco, loiro, universitário, que dirigia com carrão e fazia tráfico de drogas”, conta.

O comandante afirma que sempre alerta seu batalhão para ter cuidado com esse tipo de construção de suspeito. Ele trabalhou em diversas regiões administrativas do DF e conta que nesses lugares a maioria dos jovens vestem roupas folgadas parecidas com os “pebas”. “Sempre digo aos policiais daqui: imaginem um rebanho de ovelhas, mas apenas algumas são lobos. A missão de vocês é descobrir quais não são ovelhas. E uma hora o cara que vai cometer o crime se destoa do resto”, explica. “Se dois garotos andando na rua percebem um policial e desviam de caminho bruscamente é um sinal de que alguma coisa está errada” exemplifica.

Gilvan argumenta que esse perfil de suspeito faz parte de uma construção social como mostra os dados do 190. A sociedade constrói os suspeitos e cobra as ações da polícia. “Não seria possível uma instituiçao ter determinados atos sem que haja uma legitimidade da sociedade em abordar determinados indivíduos e não outros”, disse. Para ele, a polícia é a instituição que mais instrumentaliza esta construçao social de suspeito.

O tenente-coronel concorda que a polícia é fruto da sociedade, mas defende que os policiais devem focar-se na linguagem corporal das pessoas. “Nós conseguimos identificar quem é morador, quem é trabalhador e quem está ali para roubar um carro ou assaltar. Nosso trabalho é construído também a partir de estudos”, conta.

Anália Batista, orientadora do estudo, afirma que a sociedade imagina um perfil semelhante ao construído pela polícia, pois consegue distinguir que certos indivíduos não pertencem ao bairro, por exemplo. Ela afirma que as suspeitas são fundadas em subjetividades e em preconceitos. “Se estamos parados num semáforo e vemos alguém estranho fechamos a janela do carro ou ficamos apreensivos”, exemplifica.

OCORRÊNCIAS – A categoria “pessoa suspeita” é o segundo maior registro das solicitações atendidas pela PM entre os anos de 2005 e 2007. Cerca de 8% das chamadas recebidas pelo número 190 são de pessoas que solicitam uma viatura por ter alguém suspeito embaixo do prédio ou pela redondeza. O maior índice (35%) está relacionado a brigas de rua (veja o quadro abaixo).

Em algumas categorias, como disparo de arma de fogo, que representa quase 3% das chamadas, quando o policial chega ao local não aconteceu nada. “Muitas pessoas fazem isso porque suspeitam de alguém e acham que a viatura chegará mais rápido dizendo que houve tiroteio na rua. Muitas vezes quando a gente aborda a pessoa ela não tem arma e nem droga”, conta Gilvan. “A saída é explicar para o ‘suspeito’ por que está sendo abordado. Muitos respondem: ‘já sei, é porque eu sou negro!’”.

OUTROS SUSPEITOS – O preconceito vai além do perfil descrito. O manual do policial do curso de 2003 orienta que são suspeitos os homossexuais ou as lésbicas se estiverem parados próximos a uma escola. Segundo Gilvan, quanto mais o indivíduo se afasta da identidade militar, mais se torna suspeito. Ele sugere que a polícia passe a dar atenção igual aos outros perfis menos prováveis de cometer crimes.

O pesquisador conta que resolveu parar um casal de idosos num fusca para avisar que a pista não estava em boas condições. Mais adiante, o casal foi parado novamente. O senhor, impaciente, interrogou o policial para saber por que foi abordado mais uma vez. “A forma como ele falou gerou uma suspeita. O que irritou tanto ele? Pedi para que saísse do carro e embaixo do banco encontrei um revolver”, relata. “A sociedade jamais suspeitaria deles, porque aparentemente não representam risco”.

As estatísticas do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (InfoPen) do Ministério da Justiça (MJ) revelam que, em junho de 2010, o sistema penitenciário do DF abrigava 8.574 presos. Desses, 8.099 são homens e 475 mulheres. Os homens pardos e negros representam 5.886 e as mulheres 375. Os homens brancos, amarelos e de outras raças somam 2.242 e as mulheres 100. As idades também comprovam o que a pesquisa concluiu. Homens entre 18 e 34 anos são a maioria: 6.542. A partir de 35 anos são 1.512 presos. As mulheres mais jovens também são maioria: 339. Apenas 136 mulheres acima de 35 anos estão presas.

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Fonte: Secretaria de Comunicação da UnB

Publicado em quinta-feira, dezembro 9th, 2010 - 6:59 e classificado em + NOTÍCIAS, DIREITOS HUMANOS, Denúncias, Discriminação, Preconceito. Você pode acompanhar os comentários sobre esta publicação agregando este RSS 2.0 feed.